sexta-feira, 25 de abril de 2008

2004 - Revista Residenciais

casa in

Um raio de luz em seu lar
Projetos de iluminação valorizam o imóvel e harmonizam o ambiente

Ter um lar confortável é mais do que escolher um bom acabamento ou uma bela decoração. Deixar a iluminação para último plano de uma construção pode ser desastroso para quem prioriza o conforto e a valorização de sua residência. A maneira como um facho de luz recai sobre um móvel ou uma obra de arte pode mudar toda estrutura visual de seu lar.

Luz com personalidade
Para manter vivas as expectativas dos moradores em relação à própria casa, valorizar a arquitetura e ao mesmo tempo não sofrer uma overdose de lâmpadas e luminárias, o ideal é contratar um lighting designer, profissional especializado em iluminação que pode captar, por meio de seu trabalho, a essência do cliente.

A rotina diária de uma casa pode ser harmonizada com iluminação adequada à personalidade dos moradores, pois o diferencial ao se preocupar com isso é que os efeitos luminosos podem causar sensações e reações. A lighting designer Esther Stiller, presidente da AsBAI (Associação Brasileira de Arquitetos de Iluminação), afirma, por exemplo, que a cozinha deve ser fresca, alegre e produtiva no período do trabalho, que é predominantemente diurno. À noite, ainda que haja preparação do jantar, que se inicia no final da tarde, a atividade não é tão intensa.


Esther Stiller

O final do dia convida à diminuição do ritmo de trabalho, por isso a intensidade luminosa deve ser menor e a tonalidade deve ser morna, como acontece com o entardecer: “Isso resume um pouco do exercício que temos que fazer para conceber resultados visuais que sejam adequados com o desenho dos interiores e, principalmente, com a necessidade emocional dos usuários, em cada tarefa e em cada instante do dia”.

Não existe moda, mas tendências
Na iluminação, assim como em tudo o que se relaciona à arquitetura, não há moda, mas tendências. Para o italiano Carmine D’Amor, lighting designer da Datore Lucci de São Paulo e que está no Brasil há 10 anos, nada está ultrapassado, desde que o efeito escolhido não esteja em conflito com a decoração ou com a pintura das paredes.

Hoje, uma das tendências é evitar o uso de lâmpadas fluorescentes de 40W para iluminação de cozinhas, lavanderias e áreas de serviço. “Elas tem um espectro luminoso muito limitado e produzem grande alteração nas cores dos ambientes”, avalia Esther. Existem, no mercado, lâmpadas fluorescentes de boa reprodução de cor e de diversas tonalidades que podem ser utilizadas em ambientes residenciais. “As lâmpadas de 32W ou 28W economizam energia elétrica e têm uma vida útil muito maior do que as de 40W, além de proporcionar ambientes ricos do ponto de vista de fidelidade das cores”, complementa a especialista.

Carmine D'Amore

Qualidade total
Pode ser desastroso confiar a iluminação de uma residência ao engenheiro eletricista que estuda o sistema elétrico ao invés de convidar um especialista na área da arquitetura de iluminação. “Conectar o especialista em eletricidade à concepção do sistema de iluminação é o mesmo que pedir ao engenheiro químico responsável pelo desenvolvimento de combustíveis que projete um carro de Fórmula1. Porém, muita gente faz exatamente isso”, afirma Esther. Já Carmine D’Amore aconselha chamar lighting designer no começo de seu projeto.

Quanto custa
Não é possível falar em bom trabalho sem falar em valores. Ao contratar a assessoria de um arquiteto especializado em iluminação, os valores dos projetos variam de acordo com as dimensões da moradia e as diretrizes do cliente. Em média, um projeto de iluminação custa entre R$ 2.000 e R$ 3.000 para imóveis e até 200 m2 e de R$ 3.500 até R$ 10.000 para residências de até mil m2.

Depois de combinar o valor do trabalho, é preciso ir às compras. Para identificar bons produtos, as luminárias, por exemplo, vêm acompanhadas de selo de qualidade. A compra deve levar em conta o local onde elas serão instaladas na residência. A iluminação externa influencia a interna, pois se o vidro é incolor, temperado ou fosco, o fato também deve entrar na lista de avaliações do profissional e do cliente.

A partir das decisões e compras iniciais, os detalhes serão aplicados pleo lighting designer, tudo para que seja possível humanizar a tecnologia.

DICAS
Sala: a“iluminação cênica” permite o controle de intensidade da luz, como se fosse o volume do som. Recomendável usar luz defletida, abajoures ou luminárias de chão que iluminam o teto. O objetivo é conseguir uma luz indireta.

Sala de jantar: é recomendada a instalação de um lustre que fique no centro da mesa, como um pêndulo. Se houver um buffet, a luz pode ser direta, com a instalação de spots.

Jardins:
o primeiro passo é observar os níveis de altura das plantas. Para árvores altas, a dica é usar iluminação embutida no solo, com uma lâmpada especial chamada halógena PAR 38. Para vegetação baixa, recomenda-se usar a lâmpada PAR 20, com spots tipo espeto. Se no jardim houver um caminho, é possível valorizá-lo com pequenos postes balizadores.

Piscina:
uma nova tecnologia, ainda pouco usada por causa do alto custo, é a fibra ótica. São iluminações contínuas que ficam na parte externa. É como se fosse um néon maleável, como uma mangueira. A iluminação externa também pode ser feita de cima para baixo, focando a luz na água. A lâmpada recomendada é a Dichro Blue PAR 38.

Dicas de Geraldo Costa, profissional de iluminação.

SAIBA MAIS:
http://www.asbai.org
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