Foto: Gilberto Junior
Sadismo escolar: um fenômeno universal
Para muitos estudantes que mudam de escola, ou simplesmente voltam às aulas, esta época do ano representa um grande desafio: ao chegarem em uma classe, onde as panelinhas já estão formadas, alguns não conseguem se enturmar.
Os tímidos ou aqueles que possuem características diferentes dos demais podem ter ainda mais dificuldades. Isolados e ridicularizados por suas características pessoais, se tornam mais vulneráveis e passam a ser o alvo predileto de atitudes agressivas, intencionais e repetitivas, que ocorrem sem motivação evidente.
Estes são vítimas do bullying*, termo de origem inglesa utilizado para descrever atos de violência física ou psicológica, intencionais e repetitivos, praticados por um indivíduo (bully), ou grupo de indivíduos, com o objetivo de intimidar ou agredir outro indivíduo (ou grupo de indivíduos) incapaz de se defender.
Maria Teresa Volpato Dias, psicóloga e mestre em educação, explica que este fenômeno muitas vezes é tratado com indiferença pelos adultos, que ignoram o sofrimento diário do estudante, o que pode agravar a timidez e o medo, piorando o desempenho nos estudos.
“Os filhos precisam se abrir com os pais, e estes devem estar dispostos a ouvi-los. Também é necessário entrar em contato com a escola e se informar sobre o comportamento do estudante. A violência precisa ser eliminada e dar lugar à disciplina, atenção, diálogo e respeito. É importante que cada escola busque seu próprio programa antibullying”, ressalta Maria Teresa.
Exemplos de bullying não faltam, já que todo mundo tem que lidar com a difícil arte da convivência social; e raros são os corajosos que admitem o fato, como aconteceu com o psicanalista e escritor Rubem Alves, que foi vitima de bullying quando criança e hoje é um dos profissionais que mais colaboram com a divulgação deste fenômeno.
Para saber mais sobre este comportamento tão comum e nocivo duas fontes são os sites da Abrapia, com o Programa de Redução do Comportamento Agressivo entre Estudantes, realizado pela Associação Brasileira Multiprofissional de Proteção a Infância e a Adolescência (Abrapia), com patrocínio da Petrobras, e o Observatório da Infância.
Livros para mais informações:
Bullying - Estratégias de sobrevivência para crianças e adolescente, de Beaudoin e Taylor - Editora Artmed - Bookman Bullying e Desrespeito: como acabar com essa cultura na escola, de Beaudoin e Taylor - Editora Artmed Fenômeno Bullying, de Cleo Fante - Editora Verus
*A palavra bully significa, em inglês, valentão, o autor das agressões. A vítima, ou alvo, é a que sofre os efeitos delas. Também existem as vítimas/agressoras, ou autores/alvos, que em determinados momentos cometem agressões, porém também são vítimas de bullying pela turma.
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